DEFINIDA MULHER

Eu nunca guardo para outra noite

O silêncio de um grito escondido

Das montanhas carpetadas de verde

E do neon que escorre das paredes.

Aqui e ali, a busca infinita do amor

Sentimento feroz, voraz, incapaz.

Que aniquila as asas da liberdade

E nos condena ao carma da saudade.

Não tem rima esta vontade de fugir

A poesia se traduz dentro de mim

Em palavras marcadas, músicas silenciosas

Controvérsias de aspirações.

Sou um ser definidamente indefinido

Que busca um sonho que deixou de sonhar

Pois amor que se canta aos ventos

Não pode jamais me alcançar.

Estou disposto no fim da estrada

Esperando o ruído milenar de um trovão

Que vem com a chuva da tarde

E que nunca vem me buscar.

Acuse-me e culpe minhas falhas

Sou uma gaivota sem par

Sou um rio que jamais escoa

Sou assim mesmo, singular.

Ego no centro de mim

Universalidade a latejar

Definidamente indefinida

Sou uma mulher a amar...

MAIRA - SET/90

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