Fúria de um AMOR
Contenho-me, descontrolavelmente,
Num soluço,
Numa tinta negra.
Escrevo como a morte
Rápida, dura, decidida e cruel,
Não tenho nada para falar que não possa ser visto num olhar,
E, mesmo assim,
Tudo isso não explicará o que dói,
Dói cada segundo vazio
Que me enfurece na ânsia de ti,
E cada momento que me permite lembrar
Que dói muito mais além do que existe,
Se você não me entende
Está cego para perceber a vida ou a morte quem sabe ?
Que passe ! Que morra ! Que suma!
Mas não me enlouqueça, não me enfureça.
Até me sujo, o sangue que escorre do ódio
Das minhas unhas, que ferem o meu rosto
Na ternura deste amor agressivo,
Que não expressa seu devido sentido.
Pois se disser que dói o coração, minto !
Dói a alma,
Dói algo além da vida,
Dói o pulso e cada batida.
Pois que caíam as lágrimas também
Para que misturem-se o tinto e o branco
E enfraqueça essa fúria
Na esperança de diminuir essa dor.
Daiana Dias