"O caso dos 20 patinhos e a sucuri de 50 metros"

Joaquim Celestino Nascimento Filho

Tenho um colega chamado Wellygton, morador do paradisíaco bairro de Ipitanga onde constuiu sua tão sonhada residência, bem no meio de um enorme terreno onde a natureza colocou uma lagoa de água negra e profunda vinda de um afluente do rio jacuipe.

Amante da natureza e ecologista de carteirinha, logo deu asas a sua imaginação plantando mudas de coqueiros, cajueiros, pitangueiras, mangueiras para atrair e desfrutar a companhia de todos os pássaros e borboletas da região.

Na referida lagoa colocou alguns patinhos para alegria de Dedê sua pequena filhinha e alguns peixes para futuras pescarias em lazeres dominicais.

Um dia foi alertado por sua esposa que alguma coisa estranha estava acontecendo na lagoa, os pequenos patos estavam desaparecendo e também tinha notado um estranho movimento de água acompanhado de sonoros glubs ! glubs!, impressionado, relatou o ocorrido com os viziohos e aterrorizado ficou sabendo que a região era formada pôr charcos e pântanos e pôr isto era morada de cobras sucuris de diversos tamanhos, desde cobra de 30 centímetros até a de 50 metros, responsáveis, segundo a vizinhança, pelo desaparecimento de carteiros, entregadores de pizza, e funcionários da SUCAM, inclusive existe a suspeita pôr parte dos moradores locais que um fusca 68 estacionado na porta de uma das residências, tenha desaparecido nesta circunstancia.

Apavorado, convidou um colega de trabalho conhecido como João Gonçalves, nascido em São Gonçalo dos Campos cidade do recôncavo baiano (famoso como caçador de cobras e caças diversas), para ir até a sua residência fazer uma análise da situação.

Meia noite de Sexta feira, lua cheia e estrelas brilhantes no céu, acampa no terreno de Wellygton em Ipitanga o famoso caçador João e sua equipe forma da pelos auxiliares Valdec, Genaro e Sidney, prontos para iniciar a caçada ofídica.

Tenda de lona armada no quintal, apetrechos diversos espalhados pelo chão, tais como, rede de pesca, lanternas, facas, facões, porretes, badogues, espingarda de socar e até arco e flecha.

Após explanações diversas sobre táticas de caçadas em águas profundas, eles iniciam a operação entrando na lagos dispostos a liquidar a sucuri, de repente, um redemoinho é formado seguido de dois glubs ! glubs! E um pedaço de madeira de mais ou menos dez metros envelhecido pelo tempo emerge na lagoa causando um tremendo susto na equipe e provocando uma debandada geral na valente equipe.

João foi localizado alguns quilômetros adiante na parte de cima do farol de Itapuã, ofegante e sem fala.

Genaro foi preso em estado choque, tremendo que nem vara verde nas dependêncis da pista do aeroporto de Ipitanga pelos soldados da base aérea e levado para explicações ao comando aéreo.

Sidney deparou-se em uma esquina com Jorge Lió, caçador retardatário da equipe, em razão de uma chachaça com limão e mel com tira gosto de sardinha frita, ingerida e deglutida em uma barraca perto do Hotel Quatro Rodas e juntos após Jorge Lió saber do ocorrido sairam em debelada carreira pela linha verde, sendo localizados dias depois pela policia rodoviária na fronteira Bahia com Sergipe.

Valdec foi dado como desaparecido após ser engolido pela sucuri, porem, para alivio geral, quatro dias depois, ele foi localizado pelo corpo de bombeiro dentro da casinha do cachorro da esposa de Welligton, desidratado e desnutrido e graças ao nosso bondoso Deus, após intensa fisioterapia ele conseguiu recuperar sua estatura e antiga forma física.

Welligton pegou a família e mudou-se de mala e cuia para casa da sobra em Vila Canária e não pretende retornar para Ipitanga tão cedo.

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